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Introdução - Parte 3: Os Quatro Caminhos

Os Quatro Caminhos - Samael Aun Weor

“A Gnosis iluminará as consciências e libertará aos oprimidos”

 

A vida é uma série de acontecimentos sucessivos acompanhados de seus correspondentes estados de consciência. Cada um de nós, em busca da verdade, em busca de si mesmo, em busca do caminho da espiritualidade, da autorrealização, está acionado por causas ocultas propulsoras.

 

Nessa intensa busca, podemos diferenciar vários caminhos relacionados com diferentes níveis de desenvolvimento interior. Todos os caminhos, mais ou menos largos, mais ou menos difíceis, se esforçam por conduzir ao homem rumo a uma mesma direção. Classificamos esses caminhos assim:

 

1. O Caminho do Faquir

2. O Caminho do Monge

3. O Caminho do Yogue

4. O Caminho Reto ou Quarto Caminho

O CAMINHO DO FAQUIR

Ao escutar esta palavra nos localizamos imediatamente no Oriente, particularmente na enigmática e misteriosa Índia. Na Pérsia, o termo “Faquir” significa “mendigo” ou “mendicante”. Na Índia, os menestreis, os acrobatas, se denominam a si mesmos Faquires. Os europeus lhes dão equivocadamente o nome de Faquires aos yogues, o mesmo que aos monges viajantes de diferentes ordens.

 

Esse caminho do Faquir – largo, difícil e duvidoso – é o da luta espantosa para desenvolver em si mesmo a força de vontade física e a capacidade de vencer a dor ou lograr o domínio absoluto sobre o corpo. Este objetivo se consegue atravessando sofrimentos terríveis e saindo exitoso em duríssimas provas.

 

Todo o caminho do Faquir está caracterizado por exercícios ou submetimentos físicos incrivelmente penosos. Acostumam-se a torturas, já sejam mantendo-se de pé na mesma posição sem permitir-se liberdade de movimento algum, durante horas, dias, meses e até anos; ou, por exemplo, sentados sobre uma pedra nua sob o implacável Sol, sob a chuva e os demais fenômenos naturais e externos, sem curvar-se ante as moléstias que possam surgir. Outros mantêm os braços extendidos – ou outras extremidades – por tempo indefinido, ou se castigam com fogo ou um formigueiro no qual possam colocar suas pernas nuas e, assim, sucessivamente.

 

Em 1902, o Faquir Agastiya – de Bengala, Índia – pôs um braço, em forma reta, por cima de sua cabeça. Agastiya era um hindú para o qual todos os prazeres e dores do corpo eram “maya”: uma mera ilusão. Agastiya adotou essa postura peculiar partindo de sua convicção religiosa. Durante os três primeiros meses, o Faquir experimentou dores terríveis, mas logrou submeter-se à matéria com o poder da mente. Depois de três meses, entretanto, manter o braço levantado era já como um jogo de criança, pois o membro já estava absolutamente rígido, com pouquíssima ou nenhuma circulação sanguínea. O braço de Agastiya já não cumpria função física alguma, exceto a palma de sua mão que, graças a sua imobilidade, até serviu a um pássaro para construir ali seu ninho. A articulação do ombro havia ficado tão rígida, que, mesmo se quisesse baixar o braço, já não poderia fazê-lo. Nem sequer a morte do Faquir, em 1912, logrou que o braço descesse a descansar ao seu lado. Quando Agastiya foi enterrado na cova, o braço seguia extendido e a palma aberta.

Outro Faquir permaneceu dias e noites, durante 20 anos, sobre a ponta dos dedos das mãos e dos pés. Já não podia endireitar-se nem deslocar-se e seus discípulos tinham que transportá-lo e levá-lo ao rio, onde o lavavam como um objeto. Se o Faquir não adoece e morre, desenvolve desta maneira o que poderia chamar-se “vontade física”, mas isto não significa que tenha despertado sua consciência ou que tenha desenvolvido, de maneira total, o que se conhece como o corpo da vontade ou corpo causal.

 

 

Além disso, nessas condições, suas funções emocionais, intelectuais e motores permanecem estancadas, subdesenvolvidas. Ainda que um Faquir tenha desenvolvido sua vontade física, não tem em que aplicá-la, não pode fazer uso dela para adquirir e desenvolver o conhecimento ou para aperfeiçoar a si mesmo, mas, pelo contrário, atrofiou seu corpo físico e alcançou a velhice prematura em condições deploráveis. Para o cúmulo, alguns deles não seguem por sentimentos religiosos sinceros, nem porque compreendem as diferentes possibilidades de desenvolvimento interior, mas sim, por simples imitação causada pelo impressionismo ao ver outros Faquires. Muitos se entregam a um ascetismo fanático – tanto no Oriente como no Ocidente do mundo – porque, segundo eles, querem pagar com dor suas más ações ou sua incapacidade de vencer as tentações. Para isso, flagelam-se brutalmente, amam a dor pela própria dor e ignoram que o corpo físico é o templo do Deus vivo. Ninguém se realiza com a dor, porque a origem da dor é o “Eu”(Ego).

“Os homens que praticam severas austeridades não recomendadas pelas Escrituras, só por ostentação ou egoísmo, esses apegados e concupisciêntes, desprovidos de sensatez, torturam a todos os órgãos do corpo, e a Mim também, que moro dentro do corpo. Conheça-os, são de propósitos demoníacos!” (Bhagavad Gita)

O CAMINHO DO MONGE

Este é o caminho da fé, do sentimento religioso e dos sacrifícios. É um estado de consciência no qual se trata de desenvolver o sentido devocional, o aspecto emocional do ser. O trabalho do monge se concentra em seus sentimentos, submetendo suas outras funções à fé. Tenhamos em conta que a fé, em si mesma, e por si mesma é consciência desperta. Existem dois tipos de fé: Uma, cuja emoção está baseada na crença; outra, a que se baseia na experiência mística direta e, por isso, não cabem nela a crença nem a dúvida.

 

Quanto ao caminho do monge, refere-se a que estes desenvolvem a vontade sobre suas emoções, mas, no geral, suas demais faculdades (capacidades) são descuidadas e ficam sem desenvolver-se à plenitude. Para que a fé seja uma ponte segura rumo a liberação, deve-se cultivar também as capacidades físicas e intelectuais, a base de sacrifícios e austeridades conscientes.

 

São muito escassos os monges que chegam longe, mais escassos ainda os que triunfam sobre todas as dificuldades que impõem o real caminho, pois o desenvolvimento interno depende, em grande parte, de um poder superior às crenças, o que os alquimistas se referiam como o mercúrio da filosofia secreta.

 

O CAMINHO DO YOGUE

O Centro de gravidade do yogue é a mente e o desenvolvimento psíquico. Entretanto, dentro da yoga, existem distintas modalidades ou ramos que merecem ser estudados.

 

Temos o Bhakti Yoga, o yoga da devoção, que está dirigio ao desenvolvimento do misticismo, a devoção elevada e a busca da iluminação. O Gnana Yoga, ou yoga da mente, esforça-se em conseguir o autoconhecimento e em lograr a experiência do “Samadhi”, ou êxtase místico. O Raja Yoga, o yoga real, persegue o desenvolvimento dos chakras ou centros magnéticos.

 

Por natureza das práticas empregadas pelos yogues, não há dúvida de que desenvolvem certos poderes psíquicos como o relaxamento mental, a concentração, a telecinésia, a telepatia e poderes hipnóticos. Entretanto, desconhecem ou se esquecem da “doutrina dos muitos eus” e, em alguns casos, terminam afetados pela mitomania, sentem que alcançaram a autêntica maestria, mas isto só conduz ao desenvolvimento de “siddhis” ou poderes inferiores. O yogue trabalha no conhecimento da dualidade da mente e não há dúvida de que alcança a vivenciar estados sublimes, mas isso não significa o desenvolvimento permanente de todos os seus elementos anímicos.

 

Existe o que poderíamos chamar Agni Yoga – a Yoga do Fogo interior – ou Kundalini Yoga. Esta nos leva às portas do Quarto Caminho.

 

O QUARTO CAMINHO

O Quarto Caminho engloba os três anteriores. Este caminho é a “Senda do Fio da Navalha”, o ensinamento gnóstico que conduz ao despertar da consciência.

 

O faquir busca o domínio total sobre o corpo; o monge exalta o desenvolvimento do sentimento místico, o yogue busca incessantemente a perfeição da mente e a iluminação, transcendendo a dualidade na qual o intelecto se debate. Mas o Quarto Caminho, a senda do homem e da mulher equilibrados, conduz à perfeição e ao harmonioso desenvolvimento de todos os centros da máquina humana, através do despertar da consciência, trabalhando simultaneamente com o corpo físico e vital, com as emoções, com os pensamentos e com a vontade.

 

Toda uma série de exercícios nos níveis físico, anímico e espiritual servem para a obtenção dessa meta. Assim, o Quarto Caminho, engloba e resume o trabalho com os outros três em perfeito equilíbrio. O Quarto Caminho é a Senda do Matrimônio Perfeito; a via do ser inteligente; do que estuda a ciência, a arte, a filosofia e a mística, busca o despertar da consciência e a aniquilação do egoísmo separatista. Este caminho fundamenta-se na transmutação das energias criadores para despertar e desenvolver o Fogo Interior, a dissolução do ego e o sacrifício ou amor consciente pela humanidade.

 

Este caminho não exige que a pessoa se retire do mundo ou que abandone todo contato com os que o rodeiam, as coisas e os eventos, mas sim, requer uma preparação ativa no “ginásio psicológico” da vida prática. O centro de gravidade deste caminho é a essência ou consciência e é necessário estar preparado para caminhar por esta senda. Este caminho é muito menos conhecido que os três tradicionais. É muito exato, preciso e direto.

Samael Aun Weor

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